Tata Katuvanjesi destaca em São Luís ações do governo federal na I Oficina Nacional para Elaboração de Políticas Públicas de Cultura para Povos Tradicionais de Terreiro

Dia 27 de novembro, foi aberta em São Luís, capital do estado do Maranhão a I Oficina Para Elaboração de Políticas Públicas de Cultura para Povos Tradicionais de Terreiro, um evento que reuniu até o dia 30, cerca de 200 pessoas, entre líderes de terreiros, gestores governamentais e não governamentais, acadêmicos e representantes de movimentos sociais de todo o Brasil. Concomitante à Oficina, aconteceu também a I Conferência Livre da Juventude de Terreiro, realizada em parceria entre a Secretaria de Cultura da Cidadania do Ministério da Cultura e a Secretaria de Igualdade Racial do Maranhão.


Tata Katuvanjesi – Walmir Damasceno e a ministra da cultura Ana Buarque de Hollanda, na I Oficina Nacional para Elaboração de Politicas Públicas de Cultura para Comunidades Tradicionais de Terreiro, realizada de 27 à 30 de novembro, em São Luís/Ma


Nos quatro dias da Oficina e da Conferência, esteve em pauta a construção de políticas culturais para o segmento, com vistas à proteção, promoção e consolidação de suas tradições, reconhecendo seus ritos, mitologias, simbologias e expressões artístico-culturais.

Na abertura, Márcia Rollemberg, da Secretaria de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura, destacou os altos índices de violência contra os jovens afrodescendente. Segundo ela, o Brasil é campeão em homicídios no mundo, problema que atinge toda juventude brasileira, o que pode ser amenizado com mais investimentos nas comunidades tradicionais de terreiros. A secretária acredita que religião de matriz africana estimula o jovem a cultivar valores e ter responsabilidades, mantendo-o longe das drogas e da criminalidade.


Tata Katuvanjesi em visita a Casa das Minas, tradicional Querebetã de Zamaduno

Ressaltando a importância da Conferência enquanto espaço plural e intergeracional, Ângela Guimarães, Secretária Adjunta da Secretaria Nacional da Juventude e Coordenadora da Conferência Nacional da Juventude, acredita que o encontro permitiu diálogos e confrontos de pensamentos. “Aqui é um espaço para se ouvir o contraditório, pois assim a gente cria pactos e políticas que nos fortaleçam na construção de um novo Brasil”, afirmou.

O evento dividido em eixos temáticos, foram quatros dias de ampla e democrática discussão de temas de relevantes interesses para os povos de comunidades tradicionais de terreiros, como proposta de políticas públicas. Patrimônio cultural e direitos - discutiram questões como expressões culturais e conhecimentos tradicionais; tradições, oralidade e sustentabilidade da memória e referencia histórica dos terreiros; direitos autorais coletivos e propriedade intelectual; proteção dos mais velhos e mestres do saber; ancestralidade; inventário, registro e salvaguarda.


Tata Katuvanjesi e Ìyà Edelzuita d`Osoguian, do Gantois

Fomento e sustentabilidade – acesso aos recursos públicos; autonomia e sustentabilidade das práticas. Eixo temáticos Direitos Civis e Culturalparticipação e organização social dos terreiros; como os terreiros enquanto instituições se organizam para o dialogo com o Estado e apresentar suas demandas; representação e representatividade dos terreiros nas instâncias de participação (conselhos, fóruns, Gts etc...) Direito as expressões e práticas religiosas, expressões das tradições culturais.


Teatro João do Vale lotado de lideranças de Comunidades Tradicionais de Terreiros

O quarto eixo temático abordou Cultura e Comunicação – desafio de uso das tecnologias como instrumentos de circulação e disseminação das culturas tradicionais e do favorecimento das práticas de oralidade. Acesso ao conhecimento e ao uso das tecnologias e aos registros, divulgação, difusão e valorização de conteúdo.

Para fechar o documento as lideranças discutiram a temática de Cultura e Meio Ambiente, elencando e contemplando as seguintes questões: acesso e proteção dos espaços sagrados, preservação e acesso aos recursos naturais para manutenção das tradições, visão de mundo dos povos tradicionais de terreiros relativas aos elementos da natureza e relação da política cultural com a política ambiental.


Tata Katuvanjesi e o líder Paulo Cesar Pereira, diretor do Centro Cultural Orunmila, de Ribeirão Preto/SP

No final do evento, realizado no Teatro João do Vale, no centro histórico da capital maranhense, as lideranças das comunidades tradicionais de terreiros receberam a visita da ministra da cultura Ana Buarque de Hollanda, e a esta foi entregue um documento com as propostas de elaboração de políticas públicas de cultura para povos de comunidades tradicionais de terreiros. Tanto a ministra Ana Buarque de Hollanda quanto às demais autoridades de governos da esfera federal, estadual e municipal presentes ao certame deram garantias públicas de empenho com especial interesse na consecução e execução das propostas.


Lideranças de Comunidades Tradicionais de Terreiros em procissão no centro histórico da capital do Maranhão, São Luís

Para definir a magnitude e importância histórica do evento, o Tata kwa Nkisi Katuvanjesi – Walmir Damasceno (foto com a ministra Ana Buarque de Hollanda), uma das lideranças presentes e que participou da I Oficina Nacional de Elaboração de Políticas Públicas de Cultura Para Povos Tradicionais de Terreiros, recorreu à metáfora utilizada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dizendo a ministra Ana Buarque de Hollanda que ‘nunca na história desse país` um governo tenha tido tanta preocupação no tratamento e olhar coerente para com o povo de religião de matriz africana como vem demonstrando as atuais ações do governo federal. Tata kwa Nkisi Katuvanjesi – Walmir Damasceno considerou um momento único e que o chamamento feito aos povos de comunidades tradicionais de terreiros por parte do Ministério da Cultura enquanto instituição de governo se traduz na reparação de um erro histórico porque passa e ainda vive as religiões de matrizes africanas, patrimônio genuinamente brasileiro.



Tata Katuvanjesi e ìyá Márcia d`Osún, do Gantois



Tata Katuvanjesi, a Sacerdotisa do Culto de Òsùn, Òsògbò, Nigéria, acompanhada de alguns sacerdotes

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