NGANGA-NKISI KATUVANJESI VISITA O TERREIRO DE UMBANDA DO CABOCLO PENA BRANCA EM SÃO LOURENÇO-MG
O Nganga-Nkisi Katuvanjesi, Sacerdote do Nzo Tumbansi, de Itapecerica da Serra, SP, em visita à cidade de São Lourenço, na zona cafeeira e circuito das águas, sul do estado de Minas Gerais, foi convidado a explanar para o corpo mediúnico do Terreiro do Caboclo Pena Branca, acerca da tradição religiosa banto, ocasião em que todos os participantes da casa de Umbanda puderam aproximar-se da riqueza desta milenar tradição religiosa.
A palestra se deu nas instalações do terreiro, no qual o Pai Paulo César Prado desempenha sua tarefa espiritual. Com grande cordialidade e descontração, o Nganga-Nkisi Katuvanjesi falou sobre a língua, as raízes tradicional e sobre sua história vida religiosa e como um dos grandes herdeiros do Candomblé de tradição Congo-Angola. Todos os participantes sentiram o pulsar vivo da ancestralidade banto, raiz indelével de grande parte da ancestralidade negra presente em Minas Gerais.
Foi uma oportunidade de aproximar os membros da casa de culto de Umbanda com as raízes africanas que, junto com as tradições índias e européias, formam o caldeamento desta religiosidade tipicamente brasileira. Através da explanação de Nganga-Nkisi Katuvanjesi, pode-se compreender melhor as diferenças nos conceitos acerca dos Inkices, em relação aos seus análogos, mas não idênticos, orixás.
Além de aproximar os membros da comunidade de uma visão enraizada na tradição banto, a palestra também serviu para demonstrar a necessidade de se conhecer com maior profundidade as origens religiosas que compõe a rica herança que carregamos como descendentes desses povos que foram tão massacrados pela discriminação e opressão dominadora européia.
Nganga-Nkisi Katuvanjesi enfatizou a responsabilidade que o povo do santo, assim como todo povo herdeiro das tradições de matriz africana, tem em respeitar suas raízes e preservá-la, organizando-se com sabedoria e respeito à sua própria ancestralidade. Já é tempo, conforme suas próprias palavras, do povo herdeiro das tradições religiosas africanas aprenderem a se organizar e estruturar para fazer valer seus direitos e divulgar o culto de forma mais responsável, com conhecimento real das origens de suas crenças e práticas visando ao pleno desenvolvimento dos potenciais espirituais de todos que recorrem aos terreiros, roças e casas de culto de uma forma geral.
Mais além de meros praticantes de encantamentos e magias, as pessoas que recorrem aos cultos afro-brasileiros precisam cuidar de embasar-se de reflexão e ação coordenadas, para enfrentar os novos desafios dos tempos que estão por vir.
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